Mesmo à beira da estrada, entre o bulício da cidade e o silêncio ensurdecedor das margens do rio, há um momento que nos passa despercebido de tão rotineiro que se tornou: a espera pelo autocarro. É um ritual diário — solitário para uns, energético para outros.
São rostos que se olham no vazio, olham as caras de seres que navegam as mesmas estradas, ruas e capas negras de saudade. São os passos apressados que correm em círculos viciosos, são as mochilas pousadas nos bancos frios, mais tarde aquecidos pela conversa importante de quem já não se via há três dias.
E como numa relação de simbiose, a rotina vai se desdobrando neste ponto importante de transição entre o tempo que já foi passando e o que ainda não chegou. Mas chega sempre. É a espera que nos leva a algo. E é por isso que as linhas destes corgos, são linhas carregadas de histórias, cansaços, sestas de dois minutos antes da frequência, são linhas de uma poesia escrita em prosa no livro das melhores memórias do privilégio de existir cá, no livro que narra a mais bela das histórias que teremos, um dia, para contar.
 |
| senhor atravessa a estrada em direção à paragem |
 |
| a chegada de um outro autocarro, ainda que em sentido contrário, alimenta a espera |
 |
| a chegada tardia o autocarro à paragem “Avenida Cidade Ourense” |
 |
| Os arredores da espera |
 |
| Prédios e árvores acompanham o compasso de espera |
 |
| Marco da paragem de autocarro |
Comentários
Enviar um comentário